Sábado, 31 de Maio de 2008
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Sábado, 3 de Maio de 2008
Sem assunto...
Começo como sempre, saudando o meu amigo leitor e pedindo desculpa por qualquer coisinha que eu possa dizer e que seja mal vista por terceiros. Hoje não vou escrever sobre qualquer tema em especial. Vou soltar a os dedos e escrever…
Começo por dois assuntos que alguma mágoa me traz. É que faleceu em Março o meu amigo Francisco Neves e agora, há quatro dias, José de Matos Cruz, não só meu amigo, mas amigo de todos. Permitam-me os familiares destes dois homens que escreva algo sobre eles.
Francisco Neves, 1º Secretário da Direcção da Casa do Concelho de Góis, abriu-me os braços quando ingressei nos corpos sociais da mesma. Vi nos seus olhos que se sentia feliz por entrar um membro mais jovem. Houve um dia à noite, numa das minhas visitas ao correio, em que ele me mostrou todos os cantos e recantos da Casa. Fiquei a saber que é bem maior do que eu pensava. Francisco Neves ensinou-me os caminhos da Casa e explicou-me muitos dos procedimentos da mesma. É pena que nos tenha deixado assim tão de repente…
José de Matos Cruz… Sempre imaginei tomar um café com ele e ouvir a sua sabedoria e as suas histórias (ele contava muitas). Devido à minha vida pessoal e profissional, nunca consegui fazê-lo embora num verão recente o tenha procurado em vão na Várzea. Sempre ouvi do Sr. Matos Cruz bons concelhos e incentivos. Ajudei-o na construção dos blogues e tinha permissão para escrever neles. Fechou os olhos e partiu para sempre numa altura feliz do seu cargo na Casa do Concelho de Góis. Ainda hoje, custa-me acreditar na notícia que recebi por telefone…
Mude-mos de assunto. Numa reunião Regionalista que assisti há pouco tempo, ficou no ar uma pergunta, mas já encontrei a resposta. Ao dizer que era necessário puxar para o regionalismo a camada mais jovem, um amigo dos Amieiros disse:
“- Temos de agir! O que é preciso para incentivar a juventude para estas andanças? Hoje em dia, nas nossas aldeias já há estradas, água, electricidade, etc. Devíamos virar-nos para a cultura…”
Pois é! A resposta é simples. Eu, como jovem que sou, pensei. Imaginei hipóteses e pensei no que poderia existir lá na minha terra, que me fizesse aparecer com mais frequência. Conclui que seria NADA! Infelizmente tenho de ser realista e admitir que mesmo sendo jovem e fazer de tudo para que as aldeias, suas tradições e costumes se mantenham vivas ou renasçam; tudo o que se fizer é um esforço desnecessário. A camada jovem só vai à aldeia quando é a festa e mesmo assim, alguns ficam em casa a ver a novela ou a jogar no computador. Se há baile, grande parte não sabe dançar, se o almoço é um prato típico da região, não gostam. Depois, é o namorado(a) não está lá para animar e depois são as pessoas lá da terra que preocupam-se de mais com a vida dos outros… Podemos apostar na cultura, mas… qual cultura? Os povos eram pobres, viviam da terra… No meu caso pessoal, já pedi às pessoas lá da aldeia que tivessem recortes de jornais, fotografias e histórias antigas, me facultassem para juntar tudo e poder fazer um evento cultural relembrando o passado. Até hoje, NADA! Está-se tudo marimbando para estas coisas. Já houve pessoas a dizer que isto do Regionalismo era coisa de boémios. A meu ver e mediante o meu sentimento pessoal, é tudo uma questão de (como se diz em bom português) pancada. A nova geração de seres humanos não está preparada para trabalhar por amor à camisola, para fazer bem aos outros, para conviver sem ser em bares ou discotecas e desculpam-se sempre com isto ou aquilo. Acham uma seca estas coisas, e porque? Não é por ficarem sem ir ao hi5 ou ao MSN. É porque lá, só há velhos e gente sem “cor”. Pudera! Se eles não aparecem, não pode haver outro tipo de ambiente. E ainda há outro motivo para a juventude estar por fora. É que… o jornal lá da terra que aparece em casa, normalmente é o pai ou a mãe que lê… no entender de alguns, acham aquilo que lá vem escrito, é conversa repetitiva e de chacha!
Vá lá pessoal. Bora lá aparecer…
No sábado foi a Assembleia-Geral da colectividade da minha terra. A Liga dos Amigos de Aldeia Velha e Casais. Neste tipo de sessões, os associados devem apreciar o trabalho desenvolvido pela Direcção, analisar as contas e saber o que se faz com o dinheiro que eles dão como donativo e para pagar as quotas, entrevir quando necessário, dar ideias e criticar, enfim, DEVEM APARECER, não? Foi uma vergonha! Das 10 pessoas que lá estiveram, uma era da Mesa, cinco da Direcção e outra do Conselho Fiscal, sendo miseravelmente de APENAS 3 o número de associados.
Caramba! Então a direcção que se fartou de trabalhar e estava tão ansiosa por apresentar os resultados disso, fica a falar praticamente para as paredes!?!?!? Nem os secretários da Mesa se dignaram aparecer! Afinal o que se passa? Será assim tão complicado tirar um dia num ano para ir a uma reunião e saber como vão as coisas lá na parvalheira? Eu sei o que é. É que assim podem dizer mal disto e daquilo porque não foram eles que contribuíram para a eleição da lista, blá blá blá. Têm certamente coisas mais interessantes e urgentes para fazer. Passear, ir ao cinema, ao teatro, brincar com os filhos, visitar familiares e amigos, etc. Tudo, coisas que não podiam ser feitas sem ser naquele preciso dia. Nesse dia, confesso que cheguei a casa DANADO e se pudesse pedia a anulação da reunião. É que se formos ver bem as coisas, tudo o que foi apresentado e proposto pela Direcção, foi aprovado em maioria. E quem era essa maioria? Nem vale a pena responder…
Também há aquela velha situação, que eu particularmente acho desnecessária e descabida. É que conheço casos em que um indivíduo que encabeçava uma lista e depois sai do seu cargo, normalmente desliga-se por completo da agremiação e por vezes até parece estar contrariado com tudo o que se passa em redor da mesma. Aqui perto das Caveiras onde vos escrevo, há uma terra onde se padece do mesmo. Quanto a isto, não encontro explicação. Pode ser que daqui a algum tempo lá encontre resposta e escreva mais umas palavrinhas.
Bem amigo, sentado nesta pedra fria das Caveiras, confesso desconhecer o efeito que estas palavras podem produzir nos meus fieis leitores e ilustres homens e mulheres por quem tenho grande admiração, consideração e respeito. Já não aguentava mais e tive de deitar tudo cá para fora.
Um abraço a todos e até breve…
José de Matos Cruz
As leis da vida são claras como a água… Não existem palavras para descrever a minha tristeza e mais sincera solidariedade para com a família do meu querido amigo José de Matos Cruz. Quis Deus que a hora da sua partida chegasse na manhã do dia 17 de Abril.
O meu amigo José de Matos Cruz que sempre me gracejou com as suas histórias, boa disposição e iniciativas, foi Presidente da Direcção da Casa do Concelho de Góis durante 19 anos durante os quais foi o grande impulsionador das obras de remodelação. Actualmente era sócio honorário e desempenhava as funções de Presidente do Conselho Regional.
Foi vereador na Câmara Municipal de Góis, redactor do quinzenário “O Varzeense” e Presidia actualmente a Direcção da Comissão de Lisboa de Propaganda de Melhoramentos em Vila Nova do Ceira.
Natural da Várzea Grande, (Vila Nova do Ceira) onde nasceu a 30 de Maio de 1926, Matos Cruz, com a sua partida deixou o regionalismo muito mais pobre.
Não posso deixar de prestar a minha homenagem e eterno agradecimento a este homem cheio de força e motivação que tudo fazia para ajudar quer o regionalismo, quer o próximo.
Descanse em paz amigo Matos Cruz!
Quinta-feira, 6 de Março de 2008
Ao Francisco Neves, meu colega...
As leis da vida são claras como a água… Não existem palavras para descrever a minha tristeza e mais sincera solidariedade para com a família de Francisco Martins das Neves. Quis Deus que a hora da sua partida chegasse no final da manhã do dia 4 de Março. O meu colega da Casa do Concelho de Góis e amigo Francisco que sempre me gracejou com a sua boa disposição e iniciativa, lutou durante nove penosos e dolorosos meses contra uma doença de patologia extremamente grave. Não sei que diga mais nesta altura de grande tristeza. Acompanhei-o até à sua última morada; a Ponte de Sotão, a terra que o viu nascer. Não posso deixar de prestar a minha homenagem e eterno agradecimento a este homem cheio de força e motivação que tudo fazia para ajudar quer o regionalismo, quer o próximo. Do pouco que infelizmente convivi com ele, aprendi bastante e ouvi bons conselhos. Descanse em paz Francisco!!!!
Sábado, 12 de Janeiro de 2008
80 Anos de Regionalismo
Vigiando das Caveiras
Olá a todos. Mais um ano começa, e este com um sabor especial para mim e para todos os regionalistas. Sentado na habitual pedra fria das caveiras não vislumbro nada, apenas recordo tempos que não vivi. É possível fazê-lo, basta ter sido picado pelo “bichinho” do regionalismo para de qualquer modo sentir a grandeza dos anos de ouro deste movimento.
Na minha terra, a direcção da colectividade a que pertenço, trabalha para melhorar as condições de todos os habitantes e conhece alguns problemas que carecem uma resolução a curto prazo. Mas não se baseia só nisso. Uma das batalhas que travou, (pelo presidente e por mim) nos jornais e em muitas abordagens directas, foi a luta contra o desaparecimento habitual de certas famílias, ou seja, apelou-se bastante para o regresso às suas origens de alguns “filhos” (e também netos) de Aldeia Velha à união.
Sabe-se que em existem sempre e em todo lado algumas “guerrinhas” entre irmãos, pais, filhos, primos, vizinhos, etc.
Não vale a pena! A terra é pequena e não há necessidade nenhuma de haver “picardias” entre este e aquele. Vi na minha aldeia (recentemente) pessoas e familiares que já nem me lembro de os ver lá, significa portanto que o trajecto está a ser percorrido e já se vêm as consequências.
Um bom ambiente dentro das aldeias e entre elas é uma mais-valia para que as festas e outros eventos organizados pelas comissões tenham o sucesso pretendido.
Pois bem. Comemoram-se em 2008 os 80 anos do regionalismo e não podemos deixar esta data passar sem lhe dar o respectivo relevo que tão bem merece. Temos que nos lembrar dos grandes feitos desde o nascimento do regionalismo pois todos somos beneficiários. Não tenho idade nem conhecimento para aqui poder mencionar todos os melhoramentos mas saltam à vista as obras que ainda hoje nos ajudam.
Temos estradas, telefone, luz, fontenários, arruamentos, minas, aceiros, pontes, casas de convívio, etc, etc, etc…
Todos os que são da freguesia do Colmeal ou que a ela estejam relacionados, sabem do que falo e certamente concordarão comigo que sempre existiu na “nossa” freguesia um elemento de peso. Octogenário que quando nasceu foi muito desejado, teve uma infância difícil e o seu “curriculum” extenso e repleto de boas acções. Na sua juventude, muitos o abraçaram e agora… Está velho e caiu no esquecimento de muitos sendo por vezes motivo de “chacota”.
O Sr. Regionalismo precisa que cuidem dele aperfeiçoando-o aos dias de hoje. Para isso precisa de gente nova, com ideias e também vontade de aprender. No meu entender (uma vez que hoje em dia já não há aldeias isoladas, sem electricidade) as colectividades devem “investir” na cultura e na união.
Em algumas aldeias da freguesia do Colmeal existem agremiações regionalistas que muito fizeram pelas suas terras. Já privei com os presidentes de direcção de algumas no intuito de juntá-las todas e fazer um “mega-encontro” regionalista.
A Liga dos Amigos de Aldeia Velha e Casais está pronta tomar uma atitude para esse encontro, a União Progressiva da Freguesia do Colmeal já tentou aproximar todas as colectividades da freguesia mas não obteve grande resposta. O Grupo dos Amigos do Sobral Saião e Salgado já afirmou que apoia e participa num encontro deste carácter, temos a União e Progresso do Carvalhal que gostava de participar também. Estou certo que as outras colectividades da freguesia (e do restante concelho de Góis) também responderão ao meu apelo. A Câmara Municipal de Góis e todas as juntas de freguesia, não irão querer deixar passar esta data despercebida e cabe-lhes apoiar e presenciar um evento destes. A direcção da Casa do Concelho de Góis também já se pronunciou sobre esse assunto e está receptiva e apoiante.
Penso que podemos começar o ano em grande, festejando o 80º Aniversário de um acontecimento que a TODOS NOS DIZ RESPEITO…
Para já é tudo. Despeço-me com um abraço e até breve…
Domingo, 11 de Novembro de 2007
C. M. Lisboa
Vigiando das Caveiras
Ora mais uma vez por cá ando eu, sentado na habitual pedra, vigiando das caveiras e saudando os meus amigos leitores.
Infelizmente só hoje foi possível escrever mais qualquer coisinha mas a vida nem sempre dispõe de tempo para tudo o que é preciso, a saúde já esteve melhor e há outras coisas que são prioritárias. Também nem sempre tenho a inspiração que é necessária…
Pois bem! Hoje, aqui do alto, vislumbro uma terra longínqua que se chama Lisboa. Por ser a terra onde nasci (embora não seja onde goste mais de viver) e uma vez que democraticamente é-me dada a oportunidade de me exprimir e falar do que me apetecer, vou tocar em alguns assuntos polémicos da capital portuguesa.
Para começar, uma estrada muito utilizada por lá: a 2ª circular. A conclusão do Eixo N/S de facto libertou bastante tráfego da via em causa mas outro ponto negativo mantém-se. Não sou corredor de pista nem tenho por hábito exceder os limites impostos por lei mas acho vergonhoso o facto do limite de velocidade na estrada a que me refiro, ser de 80Km/h. E além disso, ter sido sujeita à instalação de radares. A 2ª circular não tem travessia de peões em toda a sua extensão. Se começarmos por uma das suas extremidades podemos verificar que esta via é a continuação da A1, tem acessos ao IC17, ao IC13/Ponte Vasco da Gama, Eixo N/S, Av. Lusíada e IC19. Para quem (como eu há muitos anos) a utiliza diariamente partilha da opinião que os radares só vieram atrapalhar o fluxo de tráfego.
Segundo a Câmara Municipal de Lisboa, este investimento serve para combater a sinistralidade rodoviária naquela (e outras) via (s) e por sua vez, arrecadar para os cofres municipais os valores das coimas, que por sua vez contribuirão para custear dívidas da câmara (quiçá, todas as de valor inferior a 10.000€ que segundo António Costa, já foram pagas). Muito bem, aplaudo este meio de receita.
Já agora, também temos a EMEL que deposita diariamente na câmara “sacos cheios de notas”… EMEL, uma empresa que como se sabe tem funcionários que zelam pelo estacionamento nas ruas da capital, passeiam em grupos de 8 ou 10 como se fossem namorados, não perdoam 2 minutos após excedido o tempo pago, são arrogantes e tem a mania que são policias, multam os carros de deficientes por terem estacionado os carros a menos de x metros de uma passadeira (isto por não terem lugar no estacionamento a eles reservado por estar lá o Mercedes de um doutor qualquer), blá, blá, blá… Mas deixemo-nos de dinheiros…
Tenho reparado que na 2ª circular, os acidentes não deixaram de acontecer. Normalmente acontecem ou nas zonas de aceleração, desaceleração, e por mais engraçado que seja também perto dos radares. É que eles não estão lá para nada sem ser para apanhar um condutor mais incauto que em vez de estar atento ao trânsito, tem que ter cuidado para não exceder os 80Km/h obrigando-o a consultar intensivamente o velocímetro… outra situação é a mais comum, anda-se à velocidade que se quer e ao chegar à zona do radar trava-se para depois se poder acelerar à vontade…
Dito isto, na 2ª circular só se anda à velocidade limite exactamente onde os radares estão instalados, deixando aos carros da polícia e fora dessas zonas autuar o condutor mais apressado. Para terminar esta história dos radares, deixo aqui mais uma palavra de descontentamento mas desta vez aos demais condutores. Não entendo porquê mas quando circulo numa via onde a velocidade máxima permitida é de 50Km/h, alguns condutores reduzem a velocidade para 30Km/h e onde é permitido andar a 80Km/h vê-se carros a circular a 40/50Km/h…
Já para não falar de quem atropela mortalmente quem atravessa comodamente uma rua, na passadeira e com sinalização para o fazer. Isto é caso para dizer em bom português “há gajos que não deviam ter a carta”… Sempre se falou na falta de civismo e cordialidade entre os condutores portugueses e seria de louvar fazer testes psicotécnicos aos instruendos e a todos aqueles que renovam as suas licenças de condução.
Não quero dizer com isto que sou o maior (também tenho os meus deslizes) e que todos devem aprender comigo, servem apenas estas palavras para mostrar a minha indignação.
Para terminar, gostava de agradecer ao Senhor Presidente da Câmara Municipal de Lisboa o excelente e tranquilo passeio que me proporcionou (e a outros) pelas ruas da cidade. No domingo, fui à margem sul e vim para Lisboa de barco. Demorei 01:25H para ir de Belém à rua do Ouro. Como o trânsito foi cortado aos domingos na Praça do Comércio para que as pessoas pudessem andar à vontade, os automóveis podem ao domingo visitar a Praça do Município, circular em faixas BUS, em ruas de trânsito proibido, etc. Segundo me disseram, os populares que ali passeiam são muito poucos!
Vamos aguardar pelos dias de frio, vento e chuva. Aí sim, veremos a Praça do Comércio a abarrotar de gente e menos carros a poluir a bela fachada da Câmara Municipal de Lisboa.
Bem amigos; aqui das caveiras para já é tudo. Um abraço e até breve…
Henrique Miguel Mendes
Sexta-feira, 28 de Setembro de 2007
Nossa Senhora do Livramento
Ocorreram em Aldeia Velha os festejos em honra de Nossa senhora do Livramento, com a colaboração dos Mordomos, Mordomas e das entidades habituais.
Na manhã de sábado, dia 25 de Agosto, toda a aldeia foi brindada com uma arruada feita pela banda da Associação Filarmónica Barrilense, seguindo-se um magnífico concerto. De tarde e acompanhada pela banda, foi celebrada a missa em honra da nossa padroeira pelo Padre Rodolfo vindo propositadamente de Penacova.
Com palavras certas e muito compreensíveis foi celebrada a Santa Eucaristia perante uma assistência atenta e receptiva, e seguidamente a procissão.
De lamentar o incidente num andor que originou a queda do Santo António.
Terminando as celebrações religiosas, foram anunciados os mordomos para o ano de 2007/2008 que seguidamente serão mencionados:
Capela: Manuel Duarte de Almeida
Nossa Senhora do Livramento: Alice Almeida Duarte
Santo António: Arminda de Jesus Bráz
Nossa Senhora de Fátima: Cidália da Luz Alexandre
Seguindo-se um leilão bastante participado e com resultados satisfatórios, foi anunciado posteriormente que iria ser adquirido um novo Santo António, cujas despesas com a aquisição serão suportadas por três “filhos da terra”.
A todos um grande bem-haja e até uma próxima oportunidade.
Quinta-feira, 21 de Junho de 2007
Rota do carteiro
Vigiando das Caveiras
Ora cá está o vigia das caveiras, escrevendo mais umas simples palavras para o meu amigo leitor.
Começando por saudar todos quantos me lêem, o assunto que hoje me traz por cá é mais uma vez a União Progressiva da Freguesia do Colmeal em mais uma das suas boas iniciativas que dão seguimento a um excelente trabalho de toda a direcção.
Direcção esta que é constantemente aplaudida pelos seus eventos que glorificam e promovem o Colmeal e todo o belo concelho de Góis.
Sentado comodamente nas caveiras, escrevo, aqui em Aldeia Velha logo após a saída de um grupo de aproximadamente 50 caminhantes que percorreram o caminho da rota do carteiro.
Já poucos se lembram do trajecto que o carteiro fazia a pé, caminhando por estes vales e serras, trazendo na sua mala notícias boas e más aos habitantes destas aldeias, dos seus entes queridos que partiram rumo à capital portuguesa ou com destino a terras estrangeiras na esperança de dias melhores.
A União Progressiva da Freguesia do Colmeal, no decorrer das comemorações dos 75 anos de actividade em 2006, levou a efeito uma caminhada por caminhos esquecidos da freguesia. Este ano, mais precisamente poucas horas antes de estas palavras serem escritas, a mesma colectividade passou na minha terra trazendo atrás de si um grupo de caminhantes vindos de algumas aldeias da freguesia e outros de fora do concelho, repetindo assim o evento do ano passado.
A rota do carteiro, conforme ouvi comentar por alguns dos participantes deste evento, é um caminho difícil de fazer.
Hoje, por exemplo, que a temperatura até era agradável, abrandava, mesmo assim o ritmo que era necessário para alcançar todas as aldeias da freguesia. Note-se que os participantes, não transportavam qualquer tipo de adorno ou saco como o carteiro que em anos já passados, era obrigado a fazer este caminho com um saco cheio de cartas e outro tipo de encomendas para entregar aos destinatários.
Ponderando sobre o que atrás referi, ao lermos estas palavras, devemos ter a noção de que o carteiro palmilhava estes caminhos e socalcos serranos em dias de calor, frio, vento, sol, chuva e neve. Mesmo assim, o seu árduo trabalho tinha de ser feito custasse o que custasse. Podemos afirmar que o carteiro era um herói devido à sua coragem, determinação e o afinco com que trabalhava.
Se tentarmos entrar no pensamento de um carteiro, daqueles que faziam o percurso a pé, certamente chegamos à conclusão de que esse homem era uma pessoa estimada pelo povo e que, o que fazia, fazia-o também por “amor à camisola”.
Eu com os meus jovens 20 e 12 anos tenho bem presente na memória, o carteiro chegar à minha terra de motorizada e tocar a corneta, junto ao marco do correio que ainda hoje existe junto à “cruz da rua”.
Hoje em dia, como é do conhecimento geral, a correspondência é transportada de automóvel, chegando mais rapidamente aos seus destinatários e em melhores condições.
Voltando ao início da conversa, os caminhantes da “rota do carteiro” que saíram há pouco de Aldeia Velha (terra mais linda e mais alta da freguesia do Colmeal), levaram certamente um boa imagem de como o povo serrano é acolhedor e hospitaleiro.
Foi servido a todos os participantes, um repasto reforçado para garantir o aconchego da barriga no seguimento do longo trajecto que ainda teriam de efectuar.
Aldeia Velha, como sempre, faz questão de colaborar com todas iniciativas levadas a efeito em prol do conhecimento, memórias, promoção, cultura e turismo das nossas terras.
Aldeia Velha, como sempre será um ponto de referência da freguesia do Colmeal e do concelho de Góis.
Aldeia Velha vive, revive e contribui para fazer reviver o passado recordando tempos, costumes e hábitos que já não voltam mais.
Das caveiras, com um sorriso estampado no rosto, retribuo os agradecimentos que ouvi de todos aqueles que se sentiram acolhidos por nós. A todos os que neste sábado percorreram caminhos antigos e sentiram a dificuldade que existe em caminhar pelos caminhos deste paraíso serrano, eu, o vigia, sentado nas caveiras e ao vê-los partir pela estrada fora, desejo não só que voltem a esta terra mas que sejam eles próprios um motor propulsor de recordações no seguimento de uma longa propaganda regional contra o tão mal falado flagelo do esquecimento do interior.
Por agora é tudo, a todos um abraço e até breve…
Henrique Miguel Mendes
Internet
Vigiando das caveiras
Segundo as regras da boa etiqueta, começo por saudar o amigo leitor. Como algumas pessoas me têm dito, gostam de ler o que por cá vou escrevendo sempre que posso e dizem também, que até faço bem em dizer coisas da nossa zona mesmo que se limitem a pensamentos banais de um jovem que sou ou mesmo, sei lá, a histórias do passado. Embora também haja outras gentes que digam mal do que faço... Não sei que maldade estarei a fazer ou se alguma coisa de prejudicante poderá acontecer motivado pelo que faço.
Enfim, não consigo deixar de mandar a minha típica piadinha directamente embrulhada e com um laçarote bem farfalhudo para, a quem ela servir!
Ora bem! Hoje, das caveiras, venho-vos falar de um assunto que já há algum tempo, gostaria de escrever sobre ele.
As novas tecnologias.
Como é do conhecimento geral, um computador ligado à internet, é uma janela aberta para o mundo e também uma porta aberta para quem nos quer visitar. Um computador, mesmo que somente para uma utilização básica, permite aceder a vários programas facilitando assim o trabalho de quem o usa simplificando diversas tarefas que até há relativamente pouco tempo, eram feitas á mão.
Enquanto vou vigiando das caveiras, num contexto informático que espero ser compreendido por todos, gostaria de deixar umas palavras ao departamento técnico de informática (se é assim que posso chamar) da Câmara Municipal de Góis ou até mais... Se o nosso amigo e Presidente do município ler estas palavras, estou certo que concordará com o que aqui direi.
Quem tem acesso à internet e é Goiense de gema (ou de casca como eu), certamente visita o “site” camarário (www.cm-gois.pt) com alguma regularidade para ver como anda a coisa lá pelas nossas origens e procura ler ou ver qualquer coisinha sobre a sua terra também. Actualizado há bem pouco tempo, o “site” da câmara está com um óptimo aspecto. Cara lavada e muito mais prático de ”navegar” através dele. Mas. . . Claro, há sempre um mas! Como ia dizendo, falta qualquer coisa que o antigo tinha.
Quem conheceu o antigo “site”, nele via varias fotos facultadas por quem luta pela promoção do concelho e suas terras. Viam-se imagens de aldeias do concelho, lugares de lazer, imagens antigas, fotografias de festas e romarias, etc, etc, etc. Pois bem! Se a actualização do “site foi para melhorar, sou da opinião que o que lá estava a servir de postal turístico, nunca devia ter sido retirado.
Mais estranho ainda. Antes da dita actualização, enviei um e-mail para o “site” com meia dúzia de fotografias da aldeia que das caveiras avisto (a bela ALDEIA VELHA) e deram-me como resposta ao envio de tais fotos, que iriam ser publicadas no novo “site” que iria ser apresentado dentro em breve. Ora agora pergunto a quem me está a ler e tem acesso à internet: Vê lá alguma foto de qualquer tipo de aldeia como na versão anterior? Pois eu não vi! Acho que tudo o que lá vem é bom de se ver mas para além da foto de um rebanho de cabras que está lá, penso que outras imagens poderiam ser publicadas e certamente teriam tão boa aceitação de quem “navega pelo “site” como têm os referidos animais para abate! Só espero não estar enganado e não ter reparado bem em TODAS as áreas do “site”, que visitei!
Outra coisa que também deve ser chamada a atenção, é o facto de não haver um “link” para o “site” da Junta de Freguesia do Colmeal, (http://freguesiacolmeal.home.sapo.pt) “site” esse que fala da história da freguesia e vejam lá, que até tem fotografias das aldeias da freguesia e fala sobre cada aldeia.
Estranho esta situação de não haver o dito “link” e aplaudo a J.F. do Colmeal pela sua página...
Acho que o executivo camarário deve ser o primeiro a abrir as portas do concelho e mostrar ao mundo mais qualquer coisa do que tem...
Já agora e para encerrar este moderno assunto, gostaria de sugerir à Câmara Municipal de Góis que criasse no vosso “site”, uma página para todas as aldeias do concelho e o respectivo “link”.
Um contacto nesse sentido com as inúmeras colectividades regionalistas existentes no concelho, seria muito bem visto e agradável. Penso não estar a falar ao desbarato...
Ainda agora mesmo, visitei o “site” para me certificar daquilo que digo.
Bem, por agora é tudo. Na esperança de melhorias em todos os sentidos para a(s) nossa(s) terra(s), me despeço com um abraço deste vosso amigo que quer ver o concelho de Góis engrandecido...
Até breve...
Desabafo
Vigiando das Caveiras
Antes do assunto que hoje me traz por cá, gostaria de começar por agradecer as palavras de incentivo que me foram dirigidas já por diversas vezes e por variadas pessoas por quem tenho grande consideração e admiração. Tenho perfeita consciência de que não tenho dotes de escritor e que, quando peço aos digníssimos jornais da região para serem publicadas algumas palavras minhas, faço-o por carolice e para exprimir publicamente o que sinto e o que espero para o futuro.
Gostava de informar algumas pessoas que criticam as palavras que escrevo, que, nunca pedi/pedirei nada para mim, nem nunca falo/falei nada que pudesse afectar toda a comunidade serrana e a união entre o povo! Digo isto desta forma, e permita-me o amigo leitor que desabafe um pouco.
Há relativamente pouco tempo, foi publicado nos jornais da região, um texto com o mesmo título que este. Nele fiz referências à minha infância e não escondi a saudade desses tempos de petiz. Tudo o que referi, foram excertos de momentos passados na terra dos meus avós, portanto, minha terra também. Sim, considero-me um aldeiavelhense.
Quem me conhece, sabe que um dos pontos onde mais me debato em conjunto com outras pessoas, é o da falta união e convívio entre todos os naturais de gema (e naturais de “casca” como eu) nas suas terras.
Sou a favor, ou melhor, sou o porta-estandarte, de tudo o que se realize a favor do reencontro, do convívio e da união entre populares. Como pode haver pessoas que associem estas actividades (almoços, excursões, exposições, feiras, festas, etc.) como se de um encontro de boémios e oportunistas se tratasse? Gostava de aqui deixar bem explícito que estes eventos são a forma de manter vivas as AMIZADES e dizer que a terra que nos é comum, VIVE!
Voltando atrás, estava eu dizendo que há pessoas que criticam o que transmito para o papel. Não sei se me querem atingir directamente ou se estão a mandar as tão conhecidas “bocas para o ar”.
Uma vez, num artigo de minha autoria que foi publicado, referi que nunca abandonei as minhas origens por amor àquela terra. Ou talvez, agora, por ser secretário da direcção da colectividade da minha aldeia ou por ser sócio de outra...idem... Ora, para quem isso não soou bem, ou para que se saiba, acrescento orgulhosamente mais qualquer coisinha: fiz-me sócio da casa concelhia e espero fazer-me sócio de mais duas ou três colectividades, não querendo aqui mencionar os inúmeros jornais regionais que recebo. Tudo isto porque quero ajudar e porque gosto de o fazer. Mais adianto ainda. Se há pessoas que dizem que não vou a lado nenhum com esta conversa, outras há que me apoiam. Julgo estar a fazer o melhor que sei, criando amigos e conhecendo mais de perto outras paragens. Não faço mais, porque infelizmente não posso fazê-lo.
Não querendo ser cansativo, fico-me por aqui relativamente a este assunto das críticas. Se filho de peixe, sabe nadar, estou a tentar. Quero aprender!
Para finalizar, gostaria de dar publicamente os meus mais sinceros parabéns à União Progressiva da Freguesia do Colmeal pelo seu 75º aniversário e agradecer o excelente almoço que proporcionou às 221 pessoas. Para mim, foi uma honra estar presente num dia emocionante onde se sentiu a força do regionalismo. Ficará gravado na memória...
São estas coisas que levamos na hora do adeus...
Obrigado e até breve.
Henrique Miguel Mendes
Pick-nick da União Progressiva da Freguesia do Comeal
Vigiando das Caveiras
Ora cá estou eu novamente a escrever para o amigo leitor que me conhece e que gosta de me ler. Desta vez não vos vou maçar com lembranças do meu passado não muito distante, mas sim de um passado bem presente, ou seja, de há dias mas embora a informação a passar seja dentro do contexto que conhecem.
Como sabem, sou filho e neto da aldeia mais alta da freguesia do Colmeal e, uma vez que estou nesse tão belo lugar, em pleno gozo das minhas merecidas férias, lembrei-me de repente e a horas impróprias para estar acordado, de escrever algo sobre o pick-nick organizado pela União Progressiva da Freguesia do Colmeal no âmbito das tradicionais festas de verão e também da comemoração do 75º aniversário da colectividade.
Antes de mais, permita-me o meu amigo António Domingos Santos e toda a sua equipa, que eu escreva algo sobre este evento não querendo eu tirar-vos a oportunidade de o noticiarem. É que eu sou de ideias fixas e penso que para falar bem de algo, todos são bem-vindos.
No dia 14 de Agosto, fui ao Colmeal para conviver com os meus conterrâneos, amigos e familiares na tradicional sardinhada (este ano também com porco no espeto). Tinha em mente não me demorar muito mas depressa fui obrigado a ficar, não porque me pedissem mas pelo espírito que senti logo ao pisar o chão das Seladas. Bem, lá estava eu na fila para tirar uma febra e logo me convidaram a sentar junto de uma família onde agradavelmente conversámos, comemos e bebemos num ambiente extremamente humilde e hospitaleiro. Findo o petisco, provei um pouco de tigelada que estava soberbamente confeccionada. Conversa dali, conversa daqui, mais um copo e outro dedo de conversa, o dia foi passado ao ar livre, num ambiente acolhedor e bastante simpático.
Diverti-me a jogar tiro ao alvo e até ajudei os mais inexperientes a atirar os chumbinhos contra um alvo preso a uma árvore que teimava em não estar sossegado devido ao pouco mas agradável vento que se fazia sentir. Seguidamente a colectividade fez a entrega de troféus e diplomas aos participantes das provas desportivas e muito me agradou o facto de a iniciativa ter sido bem participada por todas as faixas etárias.
Foi bom ver que no Colmeal, o desporto está presente.
Mas não se ficou por aqui. Realizou-se um leilão que foi bastante participado e de seguida até se jogou ao bingo! Não sei se estão a imaginar o “Casino das Seladas” com casa cheia de apostadores...
Mais não posso adiantar ao que se seguiu mas as cerca de 6 horas que lá estive, valeram por um dia inteiro. Para o ano, espero lá regressar e trazer comigo na memória mais umas boas horas de convívio e brincadeira que se transformam em elixir da juventude. Aos que não apareceram, permitam-me que vos diga uma coisa, perderam muito!
Também deixo um comentário a quem a carapuça servir: Se dizem que as festas de aldeia são pimba, foleiras e também que são iguais de ano para ano, eu, que vejo estas épocas como que um reforçar da união entre o povo e suas famílias, designo as mesmas como aproveitamento do tempo perdido durante o ano para rever amigos e sentirmos a terra que a todos nos é comum.
Um forte abraço a todos que são do Colmeal e até uma próxima...
Henrique Miguel Mendes
Recordar
VIGIANDO DAS CAVEIRAS
Ao longo dos tempos e com o corre-corre do dia-a-dia, muitos de nós, pessoas comuns, esquecemo-nos daquilo de que em tempos gostámos e que em outras alturas mais tenras das nossas vidas dissemos não querer perder. Falo-vos de jovens seres humanos da minha idade, com o mesmo “stress” profissional, familiar, e sem cabeça para se lembrarem da muita “água que já não move moinhos”… Divagando nos meus pensamentos e memórias e, fazendo uma análise do que já foi inúmeras vezes analisado, penso que esta é a minha vez de escrever para publicamente também eu, comentar o que já por outros grandes homens e mulheres, relativamente a outras coisas do género, foi comentado e será.
Como estava dizendo; divaguei por algumas horas, ou talvez durante uns dias ou semanas, se não meses e quem sabe se até mesmo, há já alguns anos, sobre a “malta” da minha idade, a terra dos meus avós, os amigos de infância com quem brincava lá na aldeia, e nestes pensamentos, juntei uma pitada de nostalgia das festas e romarias, colectividades regionalistas qb e depois enfiei tudo dentro de um imaginário misturador de lembranças, fiz um batido e de tão saboroso que ficou, faço questão de o partilhar convosco em palavras simples.
Lá na minha terra, como costumo chamar, lembro-me desde sempre de uma obra feita pela colectividade lá da aldeia que era, e é, a casa do convívio. As primeiras recordações que tenho dela são que era cor-de-rosa e na periferia dela, um muro baixinho ladeava um género de jardim sem flores, cheio de ervas secas e que servia de estendal para a roupa dos habitantes e para a dos cabritos que se iam matando durante o ano. O chão em volta da mesma, era em terra batida, havia (e ainda há) um pinhal onde ainda hoje existe uma torneira, antigamente num género de chafariz, e ficava no alto de um montinho de terra.
Nesse chafariz, mais propriamente, sentado nele, uma vez, era eu muito garoto ainda, um primo meu já com uns largos anos de idade e muito divertido, decidiu fazer para os miúdos que por lá andavam a reinar, uns apitos que produziam um som mais digno de uma corneta, apitos estes a que ele chamava de gaitas. Usava o coto de uma cana de foguete e com a navalhita que trazia sempre no bolso, cortava daqui, desbastava dali e depois de fazer o teste ao “instrumento” lá nos entregava com um grande sorriso o seu produto artesanal… Lá andávamos nós todos pomposos a tocar a gaita com um som tão estridente que as nossas mães até se riam!
No mesmo montinho onde estava o chafariz, por vezes também havia provas desportivas entre os rapazes mais aventureiros. Eu e os meus camaradas de brincadeira (alguns deles lisboetas, outros residentes) tínhamos por habito descer o dito monte sentados num qualquer cartão que encontrássemos esquecido num “quelho” qualquer, rompendo assim as roupas, sujando-nos todos de terra, do verde da erva e por vezes lá ficavam umas mossas nas canelas e umas queimadelas no rabiosque feitas por uma pedra que no meio de tal escorregadela não se desviava do caminho…
Nesse pinhal, lembro-me de uma vez eu e um primo afastado, termos plantado dois pinheiros que nunca vieram a nascer. Ainda me lembro do projecto que era simples e de fácil execução: escava-mos uns dois centímetros na terra com as caricas dos sumos que tínhamos acabado de beber e nos buracos, cada um meteu um pinhão vindo do bolso de um de nós. Tapámos o buraquito e regámos cada um a sua árvore com duas mãos de água em concha. Para que no futuro, soubéssemos qual era o meu e o dele, por cima da terra regada deixámos à superfície as caricas de cada um para que não houvesse discussão possível em futuras heranças…
Da parte de trás da casa do convívio, havia um espaço entre o edifício e o barroco onde estavam situadas as casas de banho. Nelas, cheguei a tomar banhos de água gelada… Lembro-me que começava por molhar a ponta dos pés e das mãos, borrifava o cabelo, o sabonete e então depois esfregava-me com o género de uma pasta de terra e espuma; tudo isto só para não me meter debaixo daquela assustadora e arrepiante corrente de gelo molhado… Com o banho tomado e quando chegava a casa, a minha mãe lá me dava um banho numa bacia com o precioso líquido quentinho. Enfim, sujávamo-nos tanto que a minha mãe até mostrava ás primas ou amigas que passassem à porta a sujidade da água… Uma vez ouvi-a dizer não sei a quem:
-“…vê lá tu que a água de lhe ter lavado a cabeça era só terra, não sei os que estes miúdos fazem nem onde andam para ficar assim…”
Dentro da casa cor-de-rosa, havia (e ainda há) muita alegria e recordo-me com bastante saudade das pessoas que a frequentavam, conversando, cantando, bailando ou simplesmente bebendo o seu copito ou os seu copões… Lembro-me tão bem como se estivesse lá… Lembro-me de em tempos em que eu já era um rapazote, nos bailes que por lá haviam, eu a dançar com a minha prima, por vezes quase que nos esbarrávamos nos pilares que existiam ao meio da sala…
Quando era hora das escondidas, ai era bem melhor porque jogávamos rapazes e raparigas. Chegámos ao ponto de sermos mais de 20 a escondermo-nos. O local da contagem, era sempre o canto entre a porta da capela e a da sacristia e o pobre desgraçado que ficasse a contar, por vezes cansava-se das malandrices de alguns que se iam esconder muito longe ou então iam para casa e ai era a altura de se ouvir na aldeia toda o famoso “!!! Arrebenta a bolha!!!”. Alguns escondiam-se dentro dos tanques do lavadouro que fica atrás da capela e um cúmplice, que ficava de fora, fazia sinal pelas janelitas ao escondido quando fossem quase surpreendê-lo. Ai, quem estivesse dentro do tanque e após o sinal do “sócio”, pulava do tanque e pregava um valente susto ao outro…
Ainda nos lavadouros, houve alturas em que tínhamos o hábito de nos empoleirar nas portas e andar para trás e para a frente vezes sem conta… Ainda hoje, sempre que por lá passo e vejo as marcas das portas na parede, não consigo deixar de sorrir ao saber que aquelas marcas são as nossas assinaturas de quando éramos moços!
Ao escrever tudo isto, não escondo que uma enorme avalanche de lembranças me inunda a cabeça tornando-se muito complicado descrevê-las á velocidade que o meu cérebro as recebe. Muita tinta ainda haveria para gastar se quisesse contar mais peripécias desses tempos de petiz vividos na melhor idade da minha vida…
Foram felizes, todos os momentos da minha infância que passei na minha terra, sempre a brincar e com muitos amigos com quem ainda hoje convivo mas sem andar em cima das portas do lavadouro…
Falando agora de coisas não tão agradáveis quanto gostaria de falar:
Todos esses meninos e meninas que em tempos se divertiam nessa bela aldeia da encosta da Serra das Caveiras, hoje são homens e mulheres, alguns casados e com filhos e isso não os difere de mim pois estou em igualdade de circunstância e também esse facto, não deixa em branco um passado comum a todos. A amizade, o convívio e o gosto em pisar esse chão que tanto prazer nos deu. Talvez por questões familiares, eu nunca tenha deixado de visita tal beleza serrana mas se não me fosse possível visitá-la com a assiduidade que desejaria, uma coisa vos garanto: Não deixaria de procurar ter notícias ou contactar essas jovens velhas amizades de outros tempos mas isto, como se diz em bom português, vai da pessoa.
È certo que há uns anos atrás, essa rapaziada que comigo escorregava o montinho do chafariz da casa do povo e brincava às escondidas na sombra do adro da capela tinha na aldeia os seus avós ou pais, logo, tinham onde dormir e comer. Hoje, devido à imparável lei da vida, esses avós ou pais, já faleceram ficando assim as casas ao abandono pois alguns dos filhos ou netos, não voltaram mais. Essa rapaziada nova da altura e que ainda o é hoje, por comodismo ou talvez por outras razões, não vão “à terra”. Uns dizem que fica longe, outros dizem que já não sabem o caminho, outros não têm onde ficar, outros há até que dizem que não conhecem lá ninguém… Concordo que alguns desses motivos até sejam verdadeiros mas pensem bem: Penso que até nem fica muito dispendioso e/ou cansativo fazer uma visita nem que seja um dia, uma vez por ano à terra que os viu sorrir, crescer e brincar! Reparem que com uma nota das da nova moeda se faz o trajecto e além disso, metade dos dedos de uma mão chegam para contar as horas que se perde na viagem! Pensem nisto. Torna-se necessário reavivar a memória dos jovens na casa dos 30 anos para que não percam o contacto com as suas origens. O desinteresse pelas nossas aldeias nem que seja apenas no verão, tem de ser combatido e melhor forma de o fazer é abordar as pessoas em questão e perguntar-lhes o que se passou! Torna-se imperativo dizer-lhes por exemplo, que a fonte que lhes matava a sede com aquela água fresca e cristalina ainda está no mesmo local, que as serras que desapareciam na imensidão do horizonte ainda estão lá e que o nascer e por do sol, visto com os pés assentes nas nossas origens não deixou de ser um extraordinário relaxante!
Serei apenas eu que considero magnífico o som da água a correr na ribeira, o vento a fazer dançar os pinheiros e aquele cheirinho da lenha que vem dos fornos a cozer a broa ou das chaminés fumegantes no inverno?
Como sou membro de uma colectividade regionalista, sócio de outra e, esses factos também me aproximam mais das minhas origens e se querem que vos diga sinceramente, sinto-me muito bem em fazer tudo o que está ao meu alcance para que “a coisa funcione”.
Em tempos recentes, ao dizer a um indivíduo meu conhecido que tinha sido eleito para ingressar na direcção da colectividade da minha terra e o quanto me sentia bastante orgulhoso nisso, ouvi um comentário de nada simpático, a dizer que nestas coisas de regionalismo e comissões de melhoramentos, só andam os gajos das paródias, os que procuram protagonismo, os bêbedos. Como todos sabem nada disto é verdade. Para estar numa colectividade e ser seu timoneiro e parte da equipa que o acompanha, basta apenas ser empreendedor e lutar pela causa, pela união e pela terra em questão! Tem que se ter uma agradável tara…
Apenas quero aqui deixar no meio de tantas e diferentes emoções talvez ditas de forma não mais correcta ou de maneira confusa, o meu apelo a todos sem excepção.
Novos, semi-novos, maduros e semi-maduros; passem a palavra, vão aparecendo nas vossas aldeias e não fujam nem se afastem das colectividades. Peço isto pois não me agrada nada a ideia de visitar a minha terra e pensar que sou o único a lá ir porque a amo.
Henrique Miguel Mendes